ISGAcollective c/ Lorena Freixeiro

ISGA8Um dos mais originais e arrojados grupos galegos da actualidade, o ISGA collective parte das raízes tradicionais galegas – e de memórias antigas – para criar uma música moderna e aberta a outras influências. Neste concerto contam mais uma vez com a presença da gaiteira Lorena Freijeiro que, apesar da sua carreira a solo, faz parte do colectivo desde o início. Aqui, responde Isaac Garabatos, líder e principal compositor do grupo.

Quando é que se formou o ISGA collective e quais foram as principais motivações para a sua criação?
O ISGA collective é um projecto em que trabalhamos desde 2005. Num primeiro momento, imaginei-o como um colectivo de músicos e artistas de outras disciplinas que se reunissem à volta da ideia de mostrar uma Galiza moderna e actual que cuida e que se nutre da sua tradição. O certo é que mantemos praticamente a formação musical do início e, também, tivemos muitas colaborações no caminho com outros músicos, poetas, bailarinos, etc.

Acha correcto caracterizar a música do ISGA collective como folk-rock galego ou acha que esta é uma designação demasiadamente redutora?
A música do ISGA collective tem um claro sabor galego e sem dúvida que tem muito de tradição e folk, mas a intenção é sempre a de aplicar muita contemporaneidade nas composições que, para além da nossa tradição musical, são influenciadas pelo minimalismo, pela música clássica, o pós-rock e mesmo o jazz. Dentro da ambiguidade que têm as designações World Music ou Roots Music, são essas com que habitualmente nos caracterizam.

Podemos perguntar quais são as principais influências do grupo, quer do lado da música tradicional da Galiza quer de outros géneros musicais?
De uma forma premeditada, o ISGA collective é formado por músicos muito diferentes e formados em géneros distintos. Temos especialistas em jazz, em música tradicional, professores de música clássica, conseguindo assim uma sonoridade pessoal e concreta. O facto de contar com estes magníficos músicos dá ao grupo uma extraordinária riqueza.

No vosso primeiro álbum, «A Redeira» (2005) interpretam canções que têm letras em galaico-português, escritas pelo poeta medieval Martín Codax. De que maneira é que ainda faz sentido, em pleno Séc. XXI, preservar essa memória?
Para nós esses poemas têm uma actualidade absoluta e continuam a fazer parte, depois de muitos anos, do nosso reportório actual. Tanto a temática – especialmente para nós, que somos de Vigo e vivendo perto do mar – como as melodias têm um carácter intemporal.

E, paralelamente à questão anterior, a língua continua a ser o principal traço de união histórico entre os povos da Galiza e Portugal ou há mesmo outras coisas a unir-nos?
Sem dúvida que a língua é um traço de união forte mas penso que há muitas outras coisas comuns entre a Galiza e Portugal. Na música as conexões são mais que evidentes, na maneira de sentir, no carácter intimista que têm tantas músicas vossas e tantas músicas nossas. E também noutras, cheias de energia.

O segundo álbum, «Etheria» (2011) é a baseado na música que o Isaac compôs para um bailado homónimo, da coreógrafa Mercedes Suaréz. De que modo é diferente compor para um espectáculo com estas características e como é que se consegue manter, neste caso, a coerência estética com a sua composição habitual de canções?
Desde há muitos anos que componho para muitas companhias de dança contemporânea, especialmente galegas. Em «Etheria» era claro para mim que o som ia ter muito de Galiza, pelo que trabalhar com o ISGA collective era a opção ideal. Foi um bonito espectáculo com doze bailarinos e oito músicos actuando ao vivo sob a direcção da coreógrafa Mercedes Suárez. Na nossa parte musical, ainda que com momentos de maior protagonismo, também procurámos espaços sonoros menos densos em que a coreografia pudesse encaixar-se. Quando utilizamos este reportório nos concertos, os arranjos mudam bastante e o instrumentista tem mais liberdade.

Fale-nos por favor um pouco dessa mulher lendária, Etheria, que viveu no Séc. IV e que partiu em viagem por outras regiões do sul da Europa. E pode dizer-se que, à semelhança de Etheria, a música do ISGA collective é também viajante e aventureira?
Os galegos (e também os portugueses) trazem no seu ADN o gosto pela viagem. A figura desta primeira peregrina e a sua viagem serviram-nos como inspiração para este espectáculo que tinha, de facto, um paralelismo com os dias actuais. O ISGA collective é um grupo de viajantes que, por sorte, visitam muitos palcos europeus. Agora estamos emocionados e com muita vontade de visitar Ponte da Barca. Vai ser uma delícia poder estar convosco.

Este vosso concerto em Ponte da Barca é anunciado como «ISGA collective com Lorena Freijeiro». No entanto, esta maravilhosa gaiteira toca muitas vezes com o ISGA collective. Ela é um membro efectivo do grupo ou uma convidada muito especial?
Lorena é uma excepcional gaiteira que tem desde há muitos anos um altíssimo nível como instrumentista. Agora dá aulas no Conservatório de Música de Ourense e trabalha no seu projecto pessoal, que está muito ligado à música tradicional galega. Para nós é um privilégio e uma sorte tê-la no ISGA collective desde o início.

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