Música Profana

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Os Música Profana regressam um ano depois ao Festival, desta vez para actuar no Palco Somersby. O guitarrista Daniel Moreira explica-nos o quanto cresceram.

Os Música Profana nasceram em 2009, aqui ao lado, em Ponte de Lima. Quais foram as principais motivações que os levaram a formar o grupo?
A formação dos Música Profana nasce da vontade de musicar uma série de temáticas que, na nossa opinião, pertencem a um universo pouco conhecido pelo público, em geral, como a histórica e a mitologia ligadas aos descobrimentos, mas também a nossa história e lendas locais. Nessa altura, a sonoridade que nos pareceu mais adequada era o folk-metal, pois tinha a melodia, energia e poder necessários para transmitir esse imaginário.

Durante alguns anos o grupo usou instrumentos eléctricos mas optaram entretanto por começar a usar apenas instrumentos acústicos. O que é que levou a essa mudança?
Essa mudança surgiu por acaso, quando nos convidaram a integrar um evento que decorreria numa igreja, estando já subjacente que o ideal seria apresentarmos os temas em formato acústico. Posteriormente a isso ainda fizemos alguns espectáculos nesse formato, tal foi a boa aceitação por parte do público, mas actualmente evoluímos para um som que podemos designar por rock celta.

Essa troca de «naipe» instrumental implicou alterações na música que praticam?
Exactamente, até porque coincidiu com a entrada do Hélder Cerqueira que introduziu a gaita de foles e também com a aquisição de novos instrumentos, como o bouzouki. Naturalmente a sonoridade evoluiu, houve mais composição em conjunto e tendo como base esses instrumentos novos, mais caracteristicos da música tradicional celta.

Muitas das vossas letras originais falam de mitos e lendas enraizados na memória colectiva dos portugueses, nomeadamente dos minhotos. Queres dar alguns exemplos dessas narrativas que vocês usam como inspiração para a vossa música?
As histórias que contamos através da nossa música vão de encontro ao rico património imaterial que existe na voz do povo, lendas que permaneceram no imaginário das nossas gentes e que merecem ter um lugar de destaque na cultura do Minho. Lendas como a da passagem do Abakir, um rei mouro que viveu no Monte da Nó onde travou batalhas com os cristãos, ou o Salteador que viveu as suas aventuras na Serra d´Arga e, ainda, a Zaida, a Mal-degolada, que foi vítima de um amor perverso, são histórias que nos encantam e inspiram, tornando a nossa música muito mais ligada à terra e às nossas tradições.

Para além dos temas originais, os Música Profana também fazem versões de temas como o «Entrudo» (que está no vosso álbum de estreia, «Abakir») ou o «Meninas Vamos à Murta». É importante, para um grupo como o vosso, ir também buscar temas tradicionais portugueses?
Sim é importante na medida em que podemos apresentar a nossa interpretação desses temas, oferecendo ao público algo que também lhes é familiar, criando-se assim um elo de ligação entre gerações.

O ano passado, os Música Profana foram seleccionados para o Palco Bricelta do Festival Folk Celta de Ponte da Barca. Isso foi importante para vocês?
Naturalmente, em primeiro lugar, por ser um festival que frequentamos desde o seu início e onde já pudemos assistir a concertos de grandes nomes da música folk. Em segundo lugar, por termos a oportunidade de actuar num evento dedicado a este estilo de música e em que o público se sente identificado e interessado em conhecer novos nomes deste género. E ainda, o facto de termos a possibilidade de contactar pessoalmente e partilhar experiências com artistas e promotores que se encontram dentro do meio da música folk.

Este ano apresentam-se neste mesmo festival mas já para actuar no palco principal. Que diferenças podemos esperar no vosso espectáculo desta edição?
Este ano além de tocarmos alguns dos temas que apresentámos na edição anterior, teremos oportunidade de mostrar algumas músicas novas, reveladoras já de uma nova sonoridade mais moderna, que poderá atrair novos públicos.

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