Sebastião Antunes & A Quadrilha

SebastiaoCom a Quadrilha ou a solo, Sebastião Antunes sempre fez a ponte entre a música tradicional portuguesa e muitas outras sonoridades. São 26 anos de carreira passados em revista neste concerto em Ponte da Barca.

O ano passado celebraste 25 anos de carreira com um concerto especial no Centro Cultural de Belém. Que balanço é que fazes deste quarto de século – e agora com mais um ano em cima – dedicado à música?
Foi um concerto muito especial pois convidei muitos amigos que fizeram parte desta, já um bocadinho, longa história, quer a tocar quer no público. Com a casa cheia – e com a sempre incrível forma de terminarem um espectáculo dos Galandum Galundaina – fizemos uma retrospectiva desde o primeiro álbum até ao disco «Com um Abraço».

A música que ouvias – e que fazias – no primeiro grupo que tiveste, os Peace Makers, veio de alguma forma a influenciar o teu trabalho na Quadrilha ou nos teus projectos a solo?
Os Peace Makers eram um grupo mais pop e as abordagens á música tradicional eram muito poucas, embora já todos nós ouvíssemos viciadamente música popular. Sem dúvida, a Quadrilha e eu próprio guardamos sempre um pouco da pop que fazíamos antes e que ainda está presente nas nossas canções

Tanto na Quadrilha como, mais recentemente, no teu álbum a solo («Cá Dentro»), a tua música contém sempre uma boa parte de canções originais mas também de versões. O que te motiva a fazer umas e outras?
As originais acontecem porque não consigo passar sem compor e escrever. Sou influenciado por muitas coisas que me levam a tentar descrevê-las numa canção, ouço muita música popular de muitos lugares e, de vez em quando, há uma melodia por norma da tradição portuguesa que me faz ter vontade de fazer uma versão.

Com ou sem a Quadrilha, as tuas canções partem de múltiplas inspirações: a chamada música celta, a música tradicional portuguesa mas também a música árabe ou a música da África negra. Quão importantes são para ti estas diferentes viagens musicais?
No início era apenas a chamada música celta que, juntamente com a música tradicional portuguesa, influenciavam as minhas composições. Mas com o tempo e com as gravações que fiz no deserto do Sahara, Marrocos. Argélia, Tunísia e Mali veio uma grande paixão, essencialmente pelas melodias tocadas pelas etnias tuaregues. Comecei então a fazer canções já com todas essas influências.

Um dos «assuntos preferidos» nas canções que escreves é, pode dizer-se, a intervenção política. De que forma ainda é importante fazer canções de protesto e, paralelamente, sentes que há em ti uma influência clara de pessoas como José Afonso ou Sérgio Godinho?
Sem dúvida, para mim continua a fazer sentido a intervenção política como consciência social, como forma de expressar a minha indignação para com certas coisas… José Afonso, Sérgio Godinho e todos os outros nunca deixaram de ser grandes fontes de inspiração, quer pelas canções, quer por tudo o que defendem, quer pelos seres humanos que são.

Durante muitos anos houve, apenas, a Quadrilha. Mais recentemente passou a haver Sebastião Antunes a solo (ou em trio) e Sebastião Antunes e A Quadrilha. Porque é que passou a haver essas distinções?
Foi uma questão de vontade. Com o álbum «Cá Dentro» quis criar uma forma de concerto mais pequena e intimista.

Neste espectáculo em Ponte da Barca que repertório vamos ouvir? Uma mescla das tuas canções a solo e com o grupo?
Acima de tudo quero fazer um espectáculo que faça predispor bem as pessoas. Vamos ter muitas músicas da Quadrilha, alguns tradicionais e algumas versões de músicas da Irlanda ou da Bretanha.

Quais os músicos que te vão acompanhar em palco?
Ricardo Mingatos na bateria e percussão, Hugo Ganhão no baixo Amadeu Magalhães no bandolim, cavaquinho e gaita, e Marta Croquet no violino.

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