Uxu Kalhus

Uxu-KalhusPioneiros na fusão de ritmos tradicionais portugueses (e outros) com géneros musicais modernos, Uxu Kalhus são sempre garantia de festa e baile. A entrevista com o baixista Eddy Slap.

Uxu Kalhus formaram-se no ano 2000 e, nessa altura, eram essencialmente um grupo que pegava em temas tradicionais portugueses e europeus e lhes dava uma nova roupagem. Como é que, catorze anos depois, caracterizas a evolução musical do grupo?
Os Uxu Kalhus têm sido ao longo dos tempos um colectivo onde todas as ideias e vontades têm sido conciliadas. Temos sido revolucionários, ousados, falamos sobre o pequeno quotidiano ou sobre questões mais universais, temos cantado a tradição e sobre o que sentimos. O que nos move é uma grande paixão pela música. A evolução musical e amadurecimento da banda têm vindo a reflectir-se de disco para disco. As músicas mais simples da fase inicial deram lugar a arranjos mais complexos, à experimentação em estúdio e a letras elaboradas.

Durante os primeiros anos d’Uxu Kalhus as vossas actuações destinavam-se essencialmente ao circuito dos bailes tradicionais. Quando é que surgiu a vontade – ou a necessidade – de começar também a dar concertos «normais»?
É natural que o nosso circuito fosse o dos bailes tradicionais, pois era um circuito que estava a ser criado em torno de um «movimento» onde os Uxu Kalhus e outras bandas estavam na vanguarda. Os Uxu Kalhus eram um grupo que fazia essencialmente música baseada na tradição europeia e como era ainda um movimento muito recente, as nossas apresentações ao vivo tinham também oficinas de danças tradicionais, onde ensinávamos o público a dançar diferentes tipos de danças. Na altura os grandes festivais não tinham espaço para este tipo de programação. Com o tempo todo este movimento cresceu e passou a ter mais público, e com ele cresceram também em número e em qualidade os chamados festivais folk. Em relação aos Uxu Kalhus, existiu sempre alguma curiosidade por parte dos programadores em conhecer o nosso trabalho daí que tivéssemos começado mais cedo a sair para fora das fronteiras do circuito do movimento tradicional.

Ao longo dos anos, o grupo teve várias mudanças de formação. O seu espírito inicial ainda se mantém ou a vossa música foi evoluindo com os sucessivos músicos e estes com as sucessivas novas abordagens musicais?
O espírito inicial da banda continua o mesmo, ou seja, fazer música honesta, com arranjos originais, enérgica, com qualidade e irreverência. Naturalmente quando os músicos de uma banda têm estas características, têm também diversos interesses musicais e são alvo do interesse por parte dos mais diversos projectos musicais e por vezes têm de optar e seguir percursos musicais diferentes.

Apesar de terem começado como um grupo de versões, logo no primeiro álbum («A Revolta dos Badalos», 2006) começaram a incluir também temas originais. De que modo é que, ainda hoje, fazem essa gestão entre versões e originais?
Os Uxu Kalhus desde o seu início usam a tradição como ponto de partida para as suas composições. É à tradição que vamos buscar a nossa matéria-prima. Todos os nossos temas têm sempre uma melodia, uma letra, uma dança ou uma estrutura musical baseada na tradição. Desta forma surgem naturalmente temas originais ou adaptações dos temas tradicionais.

Já este ano lançaram o projecto «Filarmónica Extravagante», em que tocam acompanhados por músicos de bandas filarmónicas. O que é e como surgiu esta ideia?
Imaginem um trombone a tocar uma melodia que tradicionalmente associamos à gaita de foles ou um bombardino na pele de uma flauta de tamborileiro. Um saxofone que se disfarça de viola de arame, mesmo que não seja carnaval. Imaginem agora uma banda inteira a tocar a «Saia da Carolina», a «Erva Cidreira» ou o «Malhão». As bandas filarmónicas trazem uma riqueza imensurável à música de identidade, ajudam-na a virar-se do avesso para a descobrirmos outra vez. Filarmónica Extravagante é um projecto de adaptação do reportório português de identidade para banda filarmónica, num contexto de liberdade de criação e recriação do nosso património musical.

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